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Como escolher o aquecedor de água para sua casa

Entenda de forma simples como funcionam os diferentes aquecedores de água e quais aspectos você deve pôr na balança na hora de escolher o melhor para sua casa.

Pesquisar os tipos de aquecedores disponíveis no mercado pode gerar muitas dúvidas e deixar você bastante inseguro para decidir qual é a melhor alternativa para você. Este artigo ficou longo, mas esclarece tudo isso.

Explicarei sobre os 3 mais comuns no Brasil – a gás, elétrico e solar – suas possíveis configurações e quais critérios você deve usar para escolher o seu para nunca ficar sem água quente na sua casa! Veja:

 

Aquecedores de passagem

 

São os mais simples e mais comuns no mercado brasileiro. A gás ou a eletricidade, neles a água é aquecida ao passar pelo aquecedor: ela entra fria e sai quente.

O chuveiro elétrico é o exemplo mais simples e de menor custo: ao abrir a torneira, a vazão da água faz o sistema ligar as resistências elétricas. A água que chega fria, se aquece ao passar pelas resistências, e sai quente direto para o consumo.

São de passagem também os aquecedores elétricos centrais e os a gás.

 

Aquecedor elétrico central

 

Estes funcionam da mesma forma que os chuveiros. A diferença é que são mais potentes, por isso conseguem aquecer mais água e com mais pressão. Podem aquecer, por exemplo, a torneira do lavatório e o chuveiro do banheiro ao lado ao mesmo tempo.

Existem os de menor porte, instalados por exemplo para um único banheiro. Mas também há os maiores, que aquecem água para a casa inteira.

 

Consumo de energia elétrica

 

Quem mais consome energia elétrica numa casa é tudo que aquece: ferro de passar, secadora de roupa, lava-louça, fornos e cafeteiras elétricas e, claro, chuveiros, torneiras elétricas e aquecedores de água centrais.

Em tempos de escassez de energia elétrica e aumento do seu preço, é prudente pensar em outras alternativas para aquecer a água, ou gerar a própria energia elétrica, como citei neste artigo.

 

Aquecedor a gás

 

Para eles é indiferente o tipo: gás natural, aquele que vem encanado da rua,  ou GLP (gás liquefeito de petróleo), aquele que se compra em botijões.

Eles funcionam de forma muito parecida aos elétricos: ao abrir a torneira, a passagem da água faz acender uma série de chamas, fogo mesmo, como seu forno na cozinha. A água fria passa por tubos metálicos pelo fogo e se aquece.

Uma das principais vantagens é que consegue aquecer água com bastante pressão, o que permite chuveiradas mais abundantes e bem quentes. Também pode atender a vários pontos de água ao mesmo tempo, se for dimensionado para isso.

 

Aquecedor solar

 

O sistema de aquecimento solar funciona a partir de placas com fotocélulas que transformam a luz solar em calor e com isso aquecem a água ao ela passar pelo sistema.

Esta tecnologia evoluiu (e barateou) muito com o tempo e hoje funciona mesmo em dias nublados. Mesmo assim, depende da luz solar: não funciona à noite, que no Brasil é quando a maioria das pessoas toma banho.

Como resolver essa equação? Os sistemas solares devem incluir sempre dois sistemas complementares:

  • um boiler, que nada mais é que uma caixa d’água quente, como detalharei a seguir, para guardar para a noite a água que foi previamente aquecida de dia, e
  • outro sistema de aquecimento de backup, para o caso de você ter hóspedes, por exemplo, e precisar à noite de uma quantidade de água quente maior que a capacidade do boiler.

 

Boiler

 

O boiler, como disse, é um reservatório de água quente. É diferente, claro, de uma simples caixa d’água, pois precisa de:

  • isolamento térmico, para conservar o calor da água o maior tempo possível,
  • resistência para suportar a pressão da água quente,
  • um termostato automatizado, que avise ao sistema quando a água estiver mais fria do que deve e assim ligar o sistema para reaquece-la.

Mais complicado? Sim, e mais caro de comprar e de cuidar também. São mais equipamentos que podem quebrar etc.

Para o aquecedor solar o boiler é imprescindível, mas os sistemas elétrico e a gás funcionam perfeitamente sem ele.

Falando assim, parece que o solar é o vilão? Nada disso! Não esqueça que com ele, você reduzirá quase a zero o consumo de energia elétrica e gás para aquecimento de água na sua casa… para sempre! Isso sem falar no valor ambiental que agrega a sua casa e sua vida.

 

Recirculação: um luxo? Talvez.

 

Você já deve ter vivido esta situação: abre o registro da ducha e tem que ficar esperando um tempo até começar a sair água quente. Um desperdício de água, energia e combustível, não é mesmo? O motivo é simples.

A água sai fria, mas o sistema de aquecimento já está funcionando. O problema é o caminho da água até sua ducha: a tubulação, que ficou sem ser usada durante horas, está gelada. Quem aquece os tubos é a própria água, que perde calor pelo caminho e chega fria ao banho. Só começa a sair quente quando a tubulação já estiver quente também.

Uma forma de resolver esse problema, muito usada em hotéis e hospitais, é a recirculação da água quente. Funciona assim: com ou sem gente usando água quente, ela continua dando voltas por toda a tubulação da casa num eterno vai-e-volta ao boiler. Assim os tubos ficam quentes o tempo todo.

Sim, você pensou certo: numa casa em que só se use água quente à noite, seria um imenso desperdício manter quente a tubulação sem uso. Mas há uma alternativa para isso: ter o sistema de recirculação automatizado para começar a funcionar, por exemplo, às 18hs, quando começa a ser usada água quente. Cabe a você e seu projetista ponderar qual desperdício vale mais a pena: esperar que a água esquente antes de entrar no banho, ou manter um sistema de recirculação.

 

De olho nas distâncias

 

Você já percebeu que quanto mais perto estiver o aquecedor ou boiler do seu banheiro, menos vai esperar que a água chegue quente ao banho, certo? Bingo! É por isso que é mais comum termos um aquecedor, por exemplo, para cada banheiro, do que um central para a casa toda.

Isso tem outra vantagem: se um sistema quebrar, o outro funciona e você não fica sem banho quente!

 

Pressão da água

 

Os sistemas centrais e a gás não apenas conseguem aquecer água com mais pressão, como precisam que a água venha com mais pressão para funcionar bem. Lembre-se disso sempre: você terá que escolher as duas coisas ao mesmo tempo: o tipo de aquecedor e como chegará a água até ele!

Há basicamente três maneiras de ter água com mais pressão numa casa:

  • ela vir diretamente da rede pública, sem passar pela caixa d’água. Com a desvantagem de que quando o fornecimento de água da sua rua for interrompido, seu aquecedor não vai funcionar;
  • você instalar sua caixa d’água suficientemente alta (a pressão é proporcional à diferença de altura entre o fundo da caixa d’água e o aquecedor);
  • você instalar uma bomba de pressurização na saída da caixa d’água. A desvantagem é que você dependerá do funcionamento dela, que pode quebrar (mais um equipamento para fazer manutenção), do fornecimento de energia elétrica e de um bom acréscimo na conta de luz.

 

Minha recomendação

 

Diante de tudo que escrevi acima você entenderá minha recomendação:

  1. se você ainda está na fase do projeto arquitetônico, aproveite para prever uma caixa d’água bem alta.
  2. tenha vários aquecedores e não apenas um: como acabei de dizer, se um quebrar, você terá o outro.
  3. tenha diferentes tipos de aquecedores e não apenas um: assim, se faltar energia elétrica, você terá aquecimento a gás, se faltar gás, terá o aquecimento elétrico, por exemplo.

 

É meio compicadinho de entender mesmo. Espero ter sido didática o suficiente! Se ficou alguma dúvida, pode perguntar, ok?

Como profissional, o que observo é que nesses assuntos mais chatinhos de entender é que os comerciantes abusam do consumidor e vendem o que é mais lucrativo e não o que é realmente mais vantajoso para você. Por isso me dei ao trabalho de escrever tudo isso: quanto mais você entender do que o vendedor está falando, melhor poderá negociar e avaliar o que de fato é melhor para você.

Ainda falta falarmos em mais detalhe sobre bomba de pressurização, mas ficará para um próximo artigo, ok? Com estas informações você já pode analisar sua planta e avaliar com seu projetista a melhor alternativa de aquecimento de água para sua casa.

 

 

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