Como construir mais barato sem abrir mão da qualidade

Como construir mais barato, mas sem abrir mão da qualidade? É uma pergunta que me repetem sempre.

Na verdade a questão não é “mais barato”, mas construir pelo preço CERTO. Infelizmente o que as famílias gastam para construir uma casa é quase sempre mais que o preço certo.

Explico: a construção civil “individual” é campeã do desperdício. Tanto de material quanto de mão de obra. Entre os motivos eu destaco:

  • mudanças de rota no meio do caminho (popularmente conhecidas por “jáques”);
  • compra de materiais sem planejamento e perda do poder de barganha,
  • a delegação de decisões de projeto e tecnologia a “profissionais” não qualificados, ainda que “experientes” e
  • a auto-medicação, para usar uma linguagem familiar.

Portanto, vamos reformular a pergunta: como construir sua casa, investindo nem mais nem menos que o necessário para garantir qualidade?

Agora sim, as dicas:

 

Já fez seu Programa de Projeto?

 

Eu sei que sou repetitiva, mas insisto mesmo: é imprescindível que você invista tempo para refletir sobre como vai usar a casa. Quanto melhor fizer isso, mais adequada ela será para VOCÊ. Antes mesmo de escolher seu arquiteto, programa de projeto na cabeça!

 

Planeje, planeje e planeje!

 

Você acha que está demorando demais para fazer o projeto e suas planilhas de planejamento da obra? Pois tenha CERTEZA de que quanto mais caprichar nesta fase, MENOS vai demorar a sua obra e mais barata ela será! Aceito apostas!

Capriche nessa parte, sem perder de vista que seu projeto deve caber com folga:

  • no seu terreno (precisa explicar?)
  • na sua identidade (já fez o programa?)
  • no seu bolso (todo cuidado é pouco!)
  • na legislação da sua cidade (Evite contratempos!)

 

Seja fiel

 

Depois de dedicar a energia e o tempo necessários ao projeto, se mantenha fiel a ele. Cuidado com os “jaqués”! Já que estamos com o pedreiro mesmo… quebra aqui, reconstrói ali, e assim começa o desperdício de material, prorrogação de prazos e consequente aumento de custos.

Isso sem contar nas conseqüências imprevistas das intervenções não planejadas no projeto.

 

Tempo é dinheiro

 

Você contrata a mão de obra por empreita, ou seja, pelo serviço acabado, independente do tempo que levar. Mas não se iluda: o contratado calculou o valor baseado no tempo que ele demoraria para executar. Se demorar mais, ele vai cobrar um adicional, porque ele paga seu pessoal por semana.

Cuide para não causar atrasos com, por exemplo:

  • indecisões: detalhes não previstos em projeto que você demora para decidir agora;
  • mudanças de rota: tinha planejado de um jeito, mas resolve mudar no meio da obra;
  • compra de materiais de última hora: esqueceu de pedir na sexta e na segunda de manhã o depósito não consegue entregar na hora e
  • escolha de materiais sem antecipação necessária: esqueceu que o prazo de entrega do piso é 30 dias…

Cuide para que não seja você o responsável pelos atrasos.

 

Lendo as letras pequenas

 

Antes de fechar uma compra ou contratação, repare nos extras.

  • Compra de materiais: por exemplo, verifique o custo de frete e até mesmo do serviço de descarregar o caminhão (sim, tem depósitos que mandam um caminhão de tijolos só com motorista).
  • Serviços: por exemplo: o trabalho será em altura, mas a empreita não inclui o andaime ou escadas, que você terá que alugar a parte. Há algumas que não incluem nem ferramentas: você tem que comprar da colher de pedreiro ao carrinho.

Nada contra, desde que devidamente contabilizado ao comparar orçamentos.

 

Primeiros materiais

 

O material básico: tijolos, areia, pedras e aço ocupam muito espaço no terreno e cimento estraga com umidade. Não dá para estocar, o que impede compras maiores para negociar preços, certo? Não necessariamente.

Faça uma cotação de todo o material básico que você vai usar, assim você consegue negociar preços mais baixos e não desperdiça material. Parcele pelo número de meses previstos (ou mais, se for sem juros, claro!) e combine com o fornecedor uma entrega parcial semanal.

O ideal é você passar as quantidades na sexta-feira e ele entregar às segundas de manhã. Assim não fica material no fim de semana estragando ou correndo o risco de ser roubado.

 

Dois pesos e duas medidas?

 

Cuidado para não comparar preço de gato com o de lebre. Um produto pode parecer mais econômico e na verdade acarretar outros custos. Dois exemplos:

  • a porta de alumínio montada, é mais cara se comparada a uma folha de porta de madeira. A de alumínio vem pintada, com vidro, batente e ferragens instaladas e o próprio pedreiro instala. Para a de madeira você terá que comprar separados o batente, guarnições, vidro, tintas e ferragens, além de contratar marceneiro e pintor.
  • tijolinho maciço e bloco cerâmico: pensou que estava sendo esperto ao comparar por metro quadrado de parede, certo? Cuidado: o tijolinho, por ser menor, requer muito mais argamassa de assentamento e demora mais a construção da parede, o que encarece a mão de obra.

 

Tentações de consumo

 

Lojas de revestimentos são um colírio aos olhos, cada coisa linda! Dá vontade de levar vários e você decide pôr um diferente em cada banheiro.

Depois quase ninguém – nem você mesmo – vai reparar na decoração de azulejos do banheiro. Tente lembrar do azulejo do banheiro do último amigo que você visitou. Será que vale mesmo a pena? Por isso recomendo que pense mais no preço, mas sem pecar na qualidade, claro!

 

Caçambas de entulho: você comprou tudo que tem dentro dela

 

É fácil perceber desperdícios de materiais: conte as caçambas para remoção de entulho. Mas aí é tarde demais, já aconteceu.

Imagine calcular quanto você pagou por aquele material que coube nas caçambas, entre tijolos quebrados, areia e cimento em restos de argamassa. Mais difícil é prevenir que isso aconteça, pois depende muito da qualidade da mão de obra.

Portanto, seja criterioso ao escolher o empreiteiro. Se for possível, pergunte ao seu engenheiro quantas caçambas seria “aceitável” que saíssem da sua obra até o fim de cada etapa e combine um desconto por caçamba extra no orçamento da mão de obra.

 

Liquidação!

 

Aproveite as temporadas de liquidações! Materiais de acabamento também seguem tendências de moda, portanto também há pontas de estoque e temporadas de liquidações.

As épocas são as mesmas das confecções e decoração. Fique atento e, se tiver onde guardar com segurança compre nessas épocas seus acabamentos como revestimentos, metais e louças. Apenas certifique-se de não errar nas quantidades, pois depois pode não haver mais disponibilidade no mercado.

 

Leve estas dicas em conta desde o comecinho da obra e verá que é possível construir sem desperdiçar nem estourar seu orçamento.

Consulte profissionais competentes e experientes no segmento e verá no final que esse terá sido o investimento mais rentável da sua construção. Hora de arregaçar as mangas e mão à obra!

 

 

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